A compatibilidade entre as atividade como meio de implementar a estratégia empresarial
Saber escolher as atividades corretas é imprescindível para definir o posicionamento da empresa como tratado na postagem anterior. Entretanto, não basta apenas escolher as atividades certas, faz-se necessário que elas sejam COMPATÍVEIS entre si. A eficiência de cada atividade é importante, porém é muito mais importante que elas reforcem umas às outras, a ponto de termos o conjunto, e não só uma parte, alinhado e sustentando a estratégia.
Em outras palavras, suponha que sua empresa investiu, por exemplo na força de vendas, ampliou sua atuação geográfica, modernizou as ferramentas de transmissão de pedidos, a planta fabril, a logística foi aprimorada e o setor financeiro está redimensionado para atender à nova demanda. Se uma das engrenagens desse grande sistema não estiver em sinergia com o todo é bem provável do plano estratégico não acontecer como previsto e do risco dos clientes se frustrarem.
Assim, muito se falou sobre estratégia, mas para enfatizar tal conceito e a importância da compatibilidade das atividades desempenhadas, o autor Porter (1999) apresentou o seguinte conceito:
"Estratégia é criar uma posição exclusiva e valiosa, envolvendo um diferente conjunto de atividades da empresa, compatíveis entre si. Seu êxito depende do bom desempenho de muitas atividades e da integração entre elas. Se não houver compatibilidade entre as atividades, não existirá uma estratégia diferenciada e a sustentabilidade será mínima".
Logo, para que a empresa tenha sucesso não apenas na compatibilidade de suas atividades, faz-se necessário que se estabeleça a missão, visão e os valores para que o gestor entenda a importância deles e como utilizar disso como meio dos colaboradores vestirem verdadeiramente a "camisa da empresa".
A missão deve descrever o motivo da existência da empresa, as soluções que ela apresenta ao mercado e quem é esse mercado-alvo. De um modo mais simplista é estabelecer a razão de ser da organização, pois é a partir dela que todo o resto será orientado, significado para a permanência da empresa no mercado, ela deve estar conectada diretamente aos seus objetivos, cujas principais características devem gravitar em torno da perenidade e sustentabilidade do negócio.
A visão anuncia aonde a empresa pretende chegar, em outras palavras, a posição exclusiva e valiosa que deverá alcançar no futuro, tendo isso em mente, deve-se imaginar a visão do funcionamento empresarial de médio a longo prazo.
Os valores definem os princípio éticos e morais pelos quais se espera que todos que fazem parte da empresa se comportem, ajam e decidam no exercício de suas responsabilidades, tendo como guias a missão e a visão do negócio.
Não é incomum encontrar empresas com missões e visões em molduras requintadas penduradas nas paredes, que ao invés de estimular o trabalhador, acaba o desestimulando, explico:
As palavras que estão expressas nesses lindos quadros tem antes de tudo ter sentido para os colaborados, pois caso contrário apenas representarão "hieróglifos" e não possuirão utilidade nenhuma, ou seja, o colaborador olha para o quadro sem entender para que serve e sente a pressão de internalizar aquilo por osmose ou a pressão de aplicar o que está escrito sem ao menos entender o motivo.
Então para contextualizar o colaborador da importância do seu trabalho, independente do grau que ocupa dentro da organização deve entender os seguintes pontos:
* O que é a organização e em que ela trabalha?
* Por que e para que ela existe?
* Qual o negócio dela?
* Para onde ela está seguindo?
* Quais são as principais aspirações da organização?
Assim, Peter Drucker (1973) define que "a missão de uma empresa é difícil, doloroso e arriscado, mas é só assim que se conseguem estabelecer políticas, desenvolver estratégias, concentrar recursos e começar a trabalhar. É só assim que uma empresa pode ser administrada, visando o desempenho ótimo."
Dessa forma, urge salientar a importância dos valores para uma organização, pois elas farão com que seus colaboradores efetivamente "vistam a camisa" da empresa com o mínimo esforço necessário.
Parte-se da premissa de que ninguém motiva outras pessoas, pois a motivação é interna, mas também é sabido que compete aos líderes oferecer condições para que os funcionários se motivem e para que isso aconteça é preciso colocar os valores e princípios da organização em prática.
Mas como fazer isso?
É preciso que os líderes reúnam e conversem com todos trabalhadores, não importando sua função ou nível hierárquico, tocando no assunto valores corporativos em vigor. Pergunte se o código de conduta ou ética atende aos anseios do colaborador, se acham que poderia ser acrescido outro valor ou retirado algum que nada tenha significado para eles. Alguns podem pensar que isso é perda de tempo, mas quando verem os resultados entenderão o quão valioso essas informações são para a empresa. Isso faz com que através da reflexão coletiva se traga os valores da teoria para a prática.
Outro exemplo que sempre dá certo e por mais óbvio que seja é a postura que os gestores tomam para cumprir com os valores corporativos, desse modo se faz cumprir o que é exigido e nada melhor do que o exemplo de alguém que seja referência para tornar plausível a todos a necessidade de seguir os valores corporativos forjados de maneira sólida, tanto aos clientes internos quanto aos externos.
Isso contribui para criação de um bom clima de trabalho que começa pelo respeito a alteridade tanto dos superiores quanto de seus pares. Além disso é necessário sempre se certificar quais são as maiores dificuldades para o cumprimento dos valores da empresa e quais as sugestões para atenuar ou extinguir essas dificuldades. Em outras palavras, envolva seus colaboradores e torne eles parte do seu time, pois assim eles sentirão valorizados e saberão que mesmo se não for seguido a ideia deles, isso importa para a tomada de decisão, sentirão que a empresa está em pleno 2022 onde o processo de horizontalização nas tomadas de decisão é mais presente e sentirão prazer em participar desse processo.
Por fim, é necessário saber planejar para em seguida saber gerenciar, planejar para poder olhar para fora da empresa e entender o que será valorizado pelo cliente no futuro, definindo as atividades exclusivas que deverão compor o portfólio da empresa. Gerenciar para poder implementar, controlar, integrar, compatibilizar e ajustar essas atividades dentro e fora da empresa.
Muitos acham que os desafios de planejar a estratégia e conduzir a empresa é algo muito difícil que exige muita dedicação, quem acha isso está coberto de razão, porém se houver mão-de-obra especializada e competente garanto que o trabalho poderá ser realizado em etapas de modo mitigar os riscos e minimizar os desafios a serem enfrentados.




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